
Inaugurada em 1903, é da autoria de António Teixeira Lopes. O original em lioz foi transferido, em 2001, para o Museu da Cidade e deu origem à cópia em bronze.
Ao inspirar-se na frase ”Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfhano da phantasia”, retirada da obra “A Relíquia”, o escultor convoca a nossa atenção para a dinâmica existente entre o escritor Eça de Queiroz e a respectiva obra. Realista, descritivo e considerado um dos renovadores da prosa portuguesa, serve-se da imaginação para dar corpo a uma obra crítica, de forte pendor irónico a questionar continuamente os valores estabelecidos. É pois na relação entre criador e obra que o escultor nortenho concebeu a peça, destinada a corresponder à vontade de homenagem, por parte de outros homens das letras. Deste modo o autor de “O Crime do Padre Amaro”, “Os Mais”, “ A Tragédia da Rua das Flores”, entre tantos outros livros consagrados, é representado na pedra com toda a fidelidade imagética, enquanto que a figura feminina, alegórica ao espírito criativo, sedutora e seduzida, impõe-se pelo naturalismo de tratamento e de grande sensualidade, em abandono ao tutor.
