
Nasceu em Lisboa, em 1899, e morreu, na mesma cidade, em 1986.
Depois do Liceu Pedro Nunes, onde rareavam as alunas, e de uma Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa com situação semelhante, acabou por ser convidada para Assistente, em 1924. Releve-se quanto o Professor Achilles Machado insistiu, na altura, sobre a importância de lhe prometer disciplina nas aulas: conhecia a sua capacidade intelectual, mas temia que não soubesse manter o respeito, dada a condição feminina. Terminado o Curso de Ciências Físico-Químicas, em 1925, casada com o Professor António Sousa Torres, em 1931 foi para Paris, com bolsa do Instituto de Alta Cultura, acompanhada pela mãe. Integrada na equipa da Madame Curie, realizou o doutoramento em 1935. Passados uns tempos do regresso, criou o Laboratório de Radioquímica, em 1938-1939, e foi coordenadora do Centro de Estudos de Radioquímica, criado em 1953. Começou por escolher colaboração entre antigas aulas, como as Dras. Regina Grade, Ivone de Barros, Alice Maia Magalhães e Catarina Peralta. Muito embora a primeira ter permanecido, seguiu-se-lhe uma equipa com os Professores César Viana, Renato Leal e Carlos Ferreira de Miranda, tendo este último, o "delfim", desenvolvido a área de Química na Universidade de Évora. A preocupação de dinamizar a investigação, dentro de espaços laboratoriais adequados, levou-a a várias iniciativas, incluindo relatórios apresentados junto de autoridades académicas e de gabinetes ministeriais, para os quais elaborou desenhos e projectos, visando melhorar as instalações. Entre os trabalhos científicos contam-se: "A água termal do Estoril: contribuição para o seu estudo físico-quimico, acompanhada duma breve notícia geo-hidrológica", 1932; "Radioactivité : sur la répartition du radium dans la précipitation fractionnée du chlorure de baryum radifère", 1933; "Radioactivité : sur la cristallisation fractionnée du chlorure de baryum radifère", 1933; "Contribuição analítica sobre os calcários de Bissau", 1950; "Marie Sklodowska Curie: grandes lições dadas pela história da sua vida (1867-1934)",1963, etc. Não sendo admitida no concurso para Professor Catedrático, em 1954, e tendo cegado de um olho, no próprio dia, acabou por ver a sua peculiar determinação compensada quando, finalmente em 1966, conseguiu passar a marca, como primeira mulher a conseguir o lugar de Catedrática numa Faculdade de Ciências, em Portugal. Todavia, vinte anos depois, ainda alguns continuavam a lamentar a sua morte, dizendo que tinha falecido a "Dona" Branca. Concluindo, a tenacidade desta pioneira, como o esforço da Professora Seomara da Costa Primo, primeira a realizar um doutoramento em ciências por uma universidade portuguesa, em 1942, constitui uma etapa em prol das cientistas, no país. Quando hoje há cursos com frequência maioritariamente feminina (a despeito da pirâmide continuar a inverter-se em termos da hierarquia universitária), convém não esquecer como ambas tiveram uma vida constante de luta, enquanto estudantes, professoras e investigadoras.
