Projecto Marcas das Ciências e Técnicas pelas ruas de Lisboa
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Introdução

Nas metrópoles modernas há factores de desenraizamento que resultam de não sabermos a história do chão na nossa rua, ou dos monumentos alcançados pela janela do carro quando vamos para o trabalho. Ou ainda a origem de certa toponímia e a personalidade representada na estátua de um largo. Como a tradição de um restaurante e o cheiro de uma árvore, durante um passeio dominical.

A activação da memória de cada um na prática da sua urbanidade merece esforço e requer treino, mas só assim se fará a ampliação de uma sensação real de pertença e de cidadania, bem como a abertura ao novo, aquando de visita a uma outra cidade.

A par disso, o contexto de globalização torna premente uma boa articulação com a realidade local, pelo que os espaços exteriores e interiores têm um papel comparticipado na forma como é assumido o estar - no - mundo, pelo viés da identidade.

Assim sendo e tendo os percursos pedestres um atractivo interessante hoje em dia, pelo misto de exercício e de prazer, convém aproveitar esta disponibilidade e amplificá-la, de molde a serem utilizados num espírito de descoberta, acompanhado pelo reconhecimento de aproximações entre o nacional e o internacional.

Sendo um dos produtos do PROJECTO MARCAS DAS CIÊNCIAS E DAS TÉCNICAS PELAS RUAS DE LISBOA, este sítio fornece instrumentos que propiciem bons hábitos de descoberta e momentos de bem-estar, fornecendo pistas para sentir o pulsar dos bairros históricos lisboetas, num melhor e mais perdurante aproveitamento científico e técnico, e, por isso mesmo, também cultural.

Objectivos

É sua finalidade preparar produtos que fornecerão informações históricas e actuais, para mostrar como certos percursos pelas ruas do centro lisboeta facultam o contacto com a cultura científica e técnica que merece ser conhecida, pelo papel que representa na malha urbana e pela consciência para que concorre, a nível da Europa e do Mundo.

Para isso, tomou como primeira orientação a recolha de dados sobre toponímia, estatuária e construído ligados a áreas científicas e técnicas1, preparada no âmbito das disciplinas de História das Ciências, Sociologia das Ciências Filosofia das Ciências e Ética das Ciências e Técnicas, ministradas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, de 1993 a 2000.

As fichas foram elaboradas por uma equipe interdisciplinar, dividida em zonas2, a quem coube conceber o modelo dos quatro tipos de ficha e preenchê-las.

Informações gerais

O dispositivo prático que agencia o trabalho tem origem em gestos associados ao andar a pé e ao olhar-ver-observar, o que explica a escolha da toponímia, construído e estatuária, como tipos. O dispositivo teórico acrescentou-lhes mediações metodológicas, elementos espácio-temporais e componentes biblio-iconográficas, culminando na estrutura categorial em vigor, ainda a ser testada e que poderá vir a ser substituída.

Na verdade, este será o caso que melhor exemplifica quanto a equipa entende esta base de dados como um work in progress , de natureza interdisciplinar; o qual não se fecha sobre si mesmo, nem está concluído, mas traduz uma atitude grupal de informação alargada com vista ao serviço da comunidade. Assim sendo, todas as fichas são susceptíveis de poderem ser sempre melhoradas, só as que têm todos os ítens preenchidos representam um estado avançado na investigação, e as incompletas devem ser entendidas com informações em nítida fase de (re)elaboração.

O modelo de ficha corresponde a decisões de fundo que implicaram a opinião conjugada de colaboradores e informáticos, pelo que os campos introdutórios procuram satisfazer exigências iterdisciplinares, como sejam formas de localização espácio-temporais:localização, nome da freguesia e destaque para certos acontecimentos e respectivas datas.

Salvo raras excepções, que cada colaborador decidiu por si, merecem destaque os seguintes critérios:

Títulos

Como princípio geral, e dado que a base se destina a um público vasto, parte-se da realidade presente para a passada: ex: Museus da Politécnica - Noviciado da Cotovia.

Mas, no caso da realidade passada ser mais importante para as ciências e técnicas que a presente, o presente é prioritário: ex: Convento das Salécias - Colégio D. Nuno Álvares Pereira.

Quando justificado, é dado primeiro lugar à designação dominante: ex: Standard Eléctrica - Orquestra Metropolitana de Lisboa.

As fichas de sujeitos reproduzem a designação vigente nos objectos, com prioridade para o topónimo, reproduzido segundo a ortografia da placa, por serem ambos uma marca à sua maneira.

Domínios do conhecimento

Correspondem à classificação adoptada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, aquando do início dos trabalhos, em 2004.

Independentemente da natureza englobante dos conteúdos respectivos, Museus, Bibliotecas e Arquivos figuram como História da Ciência e da Técnica, por se considerar que será este o domínio dominante, a partir do qual pode ser perspectivado onde e como servem prioritariamente um melhor conhecimento sobre as marcas.

O número elevado de casos integrados em Herança Cultural justifica-se por nela estarem incluídas situações que, apesar de poderem corresponder a ciências ou técnicas, englobam também elementos e vectores de maior amplitude e abrangência, com uma conotação e um impacto, diga-se, cultural.

Categorias

Procuram precisar o fundamento dominante e o âmbito principal para a selecção do título e do conteúdo.

As configurações cobrem condições ou efeitos das ciências e técnicas no histórico-político, económico-social, literário-cultural: uma reforma legislativa constitui um contexto - ex: a ciência moderna teve impacto na reforma do político Passos Manuel que, por sua vez, foi o contexto da criação da Escola Politécnica; o mundo científico e técnico deixa marcas em obras literárias - ex: as ciências experimentais estão presentes nos sonhos de Carlos Maia, além disso Os Maias tiveram impacto no mundo científico oitocentista e sequentes. Casos frequentes nos objectos: ministérios, organismos do estado, fundações, sociedades, associações, ordens; confrarias, corporações, sindicatos, colectividades. Casos frequentes ainda: reis, políticos, escritores e notáveis da herança cultural.

As memórias integram formas de reconhecer e de recordar, o que ocorre com maior incidência na toponímia e na escultura; contudo, convém esclarecer que objectos (excepto as homenagens) ligados a uma vida ou à produção científica/técnica num determinado local - são classificados em ciências e técnicas.

Historial

O segundo parágrafo corresponde a memórias vivenciais ou intelectuais da coordenadora do projecto, Ana Luísa Janeira.

Entidade

Poderá servir como via de aconselhamento, tendo em vista informações bibliográficas e arquivísticas suplementares.

Fotografias

Realizadas pelos colaboradores ou participantes, quando não assinalado.

Finalmente, todas estas informações sobre a base de dados e respectivas fichas estão ainda articuladas com a preocupação de servir a implementação do Turismo Científico e Tecnológico em Lisboa, nas suas vertentes e valências cultural e económica.

Apoios
Agradecimentos

Aos alunos de História das Ciências, Sociologia das Ciências, Filosofia das Ciências e Ética das Ciências e Técnicas, disciplinas ministradas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa entre 1993 e 2000,
pelo entusiasmo e dedicação de muitos, e pelo esforço para superar o desinteresse, por parte de alguns.

À Marca - ADL,
pela utilização de um computador.

Às Dras. Cristina Rebelo, Dina Carrilho e Teresa Silva Garcia,
pelo generoso apoio no processo relativo à defesa da propriedade intelectual.

  • 1Conceitos que presidiram ao modelo geral de abordagem: 1. Toponímia : Personalidade; Estabelecimento - Organismo - Organização; Memória - Comemoração - Evocação - Contexto - Acontecimento - Evento; Produção - Produtos; Reprodução - Cópia - Aplicação - Adaptação; Descoberta - Descobrimento Inovação - Invenção - Invento; Nacional; Internacional; 2. Construído : Desaparecido; Activo; Ensino; Investigação; Produção; Investigação; Instituto; Centro; Laboratório; Empresa; Indústria - Fábrica - Artes e Ofícios; Dependências Fabris - Bairro Operário - Casas Operárias; Origem - Criação - Procedência - Estatuto; Identidade - Utilidade; Trajectória - Percursos; Crises - Transformação; Extinção - Terramoto - Incêndios; Arquitectura; Estilo; Exterior; Interior. 3. Estatuária : Jardim; Praça - Largo; Escultor; Representação; Evocação; Alegoria; Símbolo; Corpo Inteiro; Busto; Lápide; Actividade - Acção; Repercussão - Efeitos; Lisboa; Europa; Mundo.
  • 2Santa Apolónia à Sé ; Rua de Santo Antão à Colina de Santana; Praça dos Restauradores ao Jardim Amália; Terreiro do Paço ao Rossio; Rua de São Mamede à Avenida Engº Duarte Pacheco; Chiado à Rua Dom Pedro V; Cais do Sodré à Avenida Dom Carlos I; Rua da Politécnica à Rua de São Bento; Rua de São Bento; Madragoa à Lapa; Prazeres às Necessidades; Tapada da Ajuda ao Palácio da Ajuda; Alcântara; Rio à Rua da Aliança Operária; Restelo a Caselas; Belém a Pedrouços; Zona Ribeirinha de Belém.
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